terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Um fim de semana diferente

No final de semana que passou, fui pra montanha fazer algo diferente!
O caminho de cura interior!
Terapia!
Sim, isso mesmo, um grupo de 22 pessoas um guia Romano (que é parte da montanha) e a terapeuta Márcia Lech (espacoser@vegaturbo.com.br) subindo a montanha para tratar o “corpo emocional” usando os limites do “corpo físico” (dentro da física quântica temos 4 corpos: o físico, o mental, o emocional e o espiritual).
Acreditei que fosse algo simples para mim, pois adoro o contato com a natureza, atravessar rios, subir a montanha (Montecrista), aprendi o valor destas coisas há uns 10 anos atrás junto com o querido amigo Velhinho, quando subíamos o Marumbi, mas há alguns anos não fazia nada parecido.
Nosso dia de “tratamento” começou cedo, às 6 da manhã, com garoa, mas a subida é possível mesmo com garoa, então atravessamos o rio e subimos até a clareira onde o grupo de 24 pessoas se dividiu alguns foram até o topo da montanha, outros, inclusive eu, preferiram tomar um banho de cachoeira e outros ainda foram até a gruta continuar o “trabalho” no seu “corpo” espiritual. A descida foi um pouco mais complicada que a subida, pois começou a chover, era o batismo da Montanha, o grupo ficou animado descemos rindo, brincando abaixo d’água! No final da descida o único pensamento era comer a sopinha quente da Izabel e dormir gostoso na pousada (Montecrita.org).
Começamos a travessia do rio, primeiro as mulheres mais frágeis e quando estávamos passando a 7° pessoa o rio subiu muito rápido a Grandilia quase foi com a força das águas não fosse o Renato segura-la pelo colarinho.
Tivemos que escolher outro caminho, voltamos na trilha, pegamos uma outra e andamos uns 2 km abaixo d’água e agora sobre um pequeno riacho, pois a trilha era só água... O pequeno riacho que tínhamos que atravessar tornou-se um imenso obstáculo, não tivemos outra opção a não ser voltar para a margem do rio onde estava a nossa corda e aguardar a chuva cessar e o rio baixar... A parte do grupo que subiu ao topo da montanha retornou as 19:00 hrs e éramos novamente 17 pessoas.
Um anjo que subia a montanha para ficar sozinho se juntou a nós, pois com a chuva que caia era impossível acampar na montanha, aliás, essa montanha é muito especial, pois parecia que ela queria que nos tornássemos parte dela e foi o quê aconteceu.
Nosso anjo o Paulo (autor do livro “O artesão do meu futuro”) improvisou uma tenda com as capas de chuvas que algumas pessoas tinham levado, e ali ficamos aguardando o rio baixar ensopados, sentados na lama, com pouca água e comida, pouco espaço para se mover e até mesmo se acomodar no chão, nos abraçando para aquecer e ficando malucos com as picadas dos mosquitos que não nos deixavam em paz (a ponto de acabar minha latinha de repelente) um bicho entrou na minha calça e me ferrou a coxa, ainda ta roxo, aliás, hematomas e escoriações não faltam... Os bombeiros e a polícia florestal chegaram por volta das 22:00 hrs, mas não havia chance nenhuma de atravessar o rio que subiu uma média de 3 m e avançou uns dois nas margens... Árvores inteiras desciam o rio com grande velocidade, o jeito era aguardar mesmo e rezar pra chuva parar. A meia noite a chuva cessou a lua apareceu e as nossas esperanças de atravessar o rio aumentaram, quando já acreditávamos no fato a chuva retornou forte e agora gelada, como não havia ninguém ferido (fisicamente) os bombeiros e a policia foram embora às 2 da manhã. Passamos por várias fases de humor no período de pouco mais de 12 horas que ficamos ilhados às margens do rio. Raiva, ódio, tristeza, agonia, egoísmo, alegria, união, companheirismo, fraternidade, enfim estávamos dentro de um caldeirão emocional com diversos ingredientes. Nosso grupo que havia se conhecido na sexta à noite e que tinha integrantes de várias cidades do Brasil estava muito unido e isso foi o mais importante, pois não fosse essa integração muitos (inclusive eu) não suportariam tal experiência. Mas não foram tudo só momentos ruins, quando as meninas entoaram um mantra e também quando nosso anjo cantou uma música dos indígenas americanos me senti leve e com forças para suportar tudo aquilo.
O dia demorou a amanhecer, e a agonia tomou conta de mim, se não fosse às poucas aulas de yoga que tive acho que não suportaria, pois nas últimas horas fiquei concentrada na respiração e em posições para suportar as dores e a agonia que crescia em mim. Às 6 horas da manhã nosso anjo foi à beira do rio, para nossa sorte a corda arrebentou para o nosso lado e ficou li mesmo, então Paulo amarrou-a um pouco acima no rio, só tinha um, porém o trecho tinha muita correnteza ainda e a Márcia não sabendo do meu trauma de água me indicou para ser a primeira a atravessar, confesso que suei frio, quando vi que os homens que primeiro entraram no rio para fazer apoio para os que atravessavam tiveram dificuldades de passar o meu medo tomou conta, só que agora não tinha opção, era atravessar ou fica ali, e isso eu não conseguia mais, então respirei fundo e entrei no rio, sabia que não podia demonstrar medo, pois era a caçula das mulheres daquele grupo e elas precisavam acreditar que era possível atravessar, mais uma vez o anjo se fez presente quando me colocou entre seus braços e me ajudou a atravessar, o medo se desfez na hora, ao chegar à outra margem e olhar para o rio às minhas costas fui tomada por uma alegria imensa, mais um desafio superado! Na beira do rio estava parte do grupo que tinha atravessado no dia anterior e que passaram a noite, aflitos e mentalizando força para nós, e com certeza foi isso que fez a diferença para o grupo suportar tudo aquilo, Romano já estava se preparando para entrar no rio ajudar os que estavam atravessando, me olhou e disse, corra não espere ninguém tome um banho se aqueça e descanse, não precisou falar duas vezes saí em disparada para a pousada corri tanto e com tanta força sem perceber, era o instinto, já não tinha razão nem consciência do que fazia. Após todos se recuperarem com uma ducha, ainda com as mãos e pés inchados, enrugados e esbranquiçados como uvas passas, fomos para o refeitório e compartilhamos experiências e sentimentos e isso foi muito especial, para mim o que tinha acontecido há algumas horas fazia parte de um sonho ruim. Sei que ainda tenho muito que aprender com tal experiência e me lembro dela cada vez que respiro, pois as dores no corpo não me fazem esquecer.
Agora além de ter certeza que tenho 23 novos amigos, pedaços de mim, me sinto uma nova pessoa, com a mesma essência, mas com muitas coisas transmutadas com certeza.

7 comentários:

Unknown disse...

Eu não conhecia este blog! Que relato INCRÍVEL! Eu me emocionei MUITO! Um dia quero também conhecer a Montanha Montecrista e, sobretudo, os 4 corpos da física quântica! Tratar o corpo emocional é TUDO o que estou precisando na minha vida! MUITO BOM saber que você está agora se sentindo uma nova pessoa! :-)

Luciana disse...

Carlinha, minha linda!!!
Nossa amiga, me emocionei com seu relato!
Por já ter estado na montanha (inclusive eu e mais 4 nos perdemos, pois pegamos outra trilha de metidos...rs) posso imaginar o que foi essa noite e esse aprendizado. Cada grupo tem suas surpresas, e tem tudo a ver com o que precisam passar.
Parabéns por ter suportado.. que isso lhe sirva como âncora para situações futuras.
Mas imagina, vc tem nas costas uma super aventura pra contar.. e as aventuras são assim, inspira quem ouve a história, mas quem viveu sofreu.

Agora, não me sai da cabeça o prazer que vc deve ter sentido ao entrar no chuveiro quentinho... E ter tomado uma sopinha, ou tomado aquele café delicioso do monte crista.

Grande beijo, amei seu blogg!
Te amo muito!

C. disse...

meninas!
amo vcs também!
e lu, quando me o josé dono da apousada comentou de uns perdidos na motnanha eu pensei em vcs mesmo rsrsrs, mas vc nunca me contou nada!
beijocas

gazstao disse...

Carlinha Kau!

agora é hora do vinho!
hahaha! Iniciada na montanha, que barato! Confesso que no fundo fiquei com uma invejinha boa pra estar lá tbém. Mas tudo é como é e assim é! :)

Muito legal seu blog, vou virar freguês!

bjs!

Marcio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcio disse...

Kau to com preguiça de ler mas deve ter sido legal..Humm!!Beijo!!